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25 de janeiro de 2026

DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM - Peregrinação Jubilar à Sé de Lisboa e à Basílica e Museu de Santo António de Lisboa

Peregrinação Jubilar à Sé de Lisboa  da Fraternidade de S. Francisco à Luz

18 de outubro de 2025










Introdução

O Ano Jubilar é verdadeiramente um Ano Santo, um Ano de Graça, aquele Ano que Jesus veio realizar quando diz: “Cumpriu-se, hoje mesmo, esta palavra que acabais de ouvir,” depois de ler, na Sinagoga, a passagem da Escritura do profeta Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor.” (Lc 4, 21)

O Ano Jubilar é um tempo em que, de forma especial, tudo em nós favorece o nosso encontro com Deus e o crescimento da consciência de que pertencemos ao Senhor: "Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor", (Rom 14,8) como diz São Paulo.

Somos d'Ele e para Ele. Porque Ele é a Verdade da Vida para que nos criou. E é por isso que, feito homem em Jesus Cristo, Ele é também o Caminho. Não há Vida fora d'Ele. Tudo o que não seja Ele são miragens e ilusões... E toda a criação e a vida de cada um de nós só atinge a sua meta quando nos identificarmos plenamente com Ele, quando "Cristo for tudo em todos". (Col 3, 11)

Ter fé é acolher no coração o que Jesus disse a Tomé na Última Ceia: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida." (Jo 14, 6) Ano Jubilar, Ano Santo é, por isso, tempo de conversão de regresso à nossa Verdade mais íntima que é Deus, tempo de nos voltarmos para Ele e caminharmos de forma decidida e firme para o coração do Pai.

E, quando o encontro com Deus acontece, Ele diz-nos sempre que o verdadeiro templo onde Ele quer habitar somos nós, é o nosso coração: “Não sabeis que vós sois o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor 3, 16)

1.             À entrada na Sé

Detenhamo-nos à porta exterior da Sé. Entrar na Sé, com o desejo de nos unirmos mais a Deus, é abrir o coração para nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, nos caminhos da Vida que nos conduzem ao Pai. Para isso, há que passar pela porta: “Ninguém vai ao Pai, senão por Mim,” (Jo 14, 6) disse Jesus.

Antes de atravessarmos a Porta Santa, leia-se esta passagem do Evangelho:

Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores. Mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, salvar-se-á: entrará e sairá e encontrará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham Vida e a tenham em abundância," (Jo 10, 7-10)

Transponhamos agora a Porta Santa com o sentimento de seguirmos Jesus e de sermos um com Ele, e avancemos para o Batistério, que fica do lado esquerdo.

Foi no batistério, que renascemos e nos tornámos “Homens Novos”. Biologicamente nada mudou. E talvez nem nos tenhamos apercebido de nenhuma mudança especial. Mas com o nosso “sim,” demos início a um caminho em que fomos aprendendo, pouco e pouco, pensando ou não nisso, que Deus é o Único que sacia a sede de Vida em abundância, a sede quase insaciável de um Amor inteiro.

Leia-se a seguinte passagem da 1ª Carta de São João:

Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é.” (Jo 1, 1-2)

Louvemos o Senhor pelo dom da fé e celebremos a nossa condição de filhos de Deus, rezando:

Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Ámen.

 

2.             Dirijamo-nos agora para a Capela d’O Santíssimo, ao fundo, e prostremo-nos diante d’Ele em adoração.

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.

Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. (3X) 

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores. 

Leia-se esta leitura do Livro de Isaías

Escutai a palavra do Senhor, chefes de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, povo de Gomorra: «Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas ações, deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde então para discutirmos as nossas razões, — diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã. Se fordes dóceis e obedientes, comereis os bens da terra. Mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada». Assim falou a boca do Senhor.” (Is. 1,10.16-20).

Demos agora louvores ao Deus Altíssimo

Vós sois santo, Senhor Deus único, o que fazeis maravilhas.

Vós sois forte, Vós sois grande, Vós sois altíssimo, Vós sois rei omnipotente, tu, Pai santo, rei do céu e da terra!

Vós sois trino e uno, Senhor Deus, todo o bem.

Vós sois bom, todo o bem, o soberano bem, Senhor Deus, vivo e verdadeiro!

Vós sois caridade, amor!

Vós sois sabedoria!

Vós sois humildade!

Vós sois paciência!

Vós sois formosura!

Vós sois mansidão!

Vós sois segurança!

Vós sois descanso!

Vós sois gozo e alegria!

VÓS SOIS A NOSSA ESPERANÇA!

Vós sois justiça e temperança!

Vós sois toda a nossa riqueza e saciedade!

Vós sois beleza!

Vós sois mansidão!

Vós sois o protetor!

Vós sois o nosso guarda e defensor!

Vós sois fortaleza!

Vós sois consolação!

Vós sois a nossa fé!

Vós sois a nossa caridade!

Vós sois a nossa grande doçura.

Vós sois a nossa vida eterna, o Senhor grande e admirável, o Deus omnipotente, o misericordioso Salvador! 

Rezemos, agora, pelas intenções do Santo Padre, que preside à oração permanente de intercessão da Igreja pelo mundo 

Irmãs e irmãos em Cristo: Pela Igreja e por nós próprios, oremos ao Pai celeste que espera sempre e perdoa aos filhos que regressam, dizendo:

Iluminai, Senhor, o nosso coração.

·        Para que o Papa Leão XIV, os bispos e os presbíteros, ministros do perdão que vem de Deus, acolham os pecadores que se convertem, oremos.

·        Para que os fiéis que se afastaram de Deus Pai, caindo em si, sintam o desejo de voltar e participem de novo nos dons da Igreja, oremos.

·        Para que os homens que não sabem perdoar aprendam a fazer festa e a alegrar-se, sempre que os pecadores voltam à vida, oremos.

·        Para que as famílias que têm filhos pródigos ofereçam a Cristo a sua dor e a sua cruz e d'Ele recebam a alegria do reencontro, oremos.

·        Para que nós próprios e toda a nossa fraternidade, participando na celebração da penitência, nos preparemos para celebrar a Pascoa, oremos.

Senhor, nosso Deus, que abraçais os filhos que regressam e para eles preparais uma grande festa, fazei que todos os fiéis que Vos suplicam experimentem o vosso perdão libertador. Por Cristo Senhor nosso.

 

3.             Após a adoração do Santíssimo, passemos diante do altar principal, fazendo uma vénia, e coloquemo-nos em frente à imagem de Nossa Senhora, que está na capela do lado oposto.

Jesus confiou-nos a Maria, para ela cuidar de nós. Ela é verdadeiramente nossa Mãe. Sempre atenta e solícita, como todas as mães, ela é aquela que advinha o que precisamos de verdade, ainda antes, muitas vezes, de nós próprios o percebermos, e intercede por nós junto do seu Filho: “Não têm vinho!” (Jo 2, 3)... Ao mesmo tempo que nos diz a nós: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (Jo 2, 5) Maria é a nossa grande intercessora junto de Jesus.

Fixemos o nosso olhar em Maria e deixemos que ela nos veja no mais íntimo do que somos, as nossas preocupações, as nossas alegrias, as nossas dificuldades de discernimento da vontade de Deus para nós...

Leia-se esta passagem do Evangelho, que bem conhecemos:

Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o nosso filho. » Depois disse ao discípulo: «Eis a nossa Mãe. » E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.” (Jo 19, 26-27)

Peçamos-lhe que nos ajude a recebê-la na nossa casa, na nossa vida. A oração de intercessão é a melhor maneira de descobrirmos o que Deus quer para nós. Nas grandes escolhas e opções de vida. E nas coisas pequeninas do dia-a-dia.

Oração a Nossa Senhora

Virgem Imaculada, Mãe, Mãe Imaculada,

Mãe nossa, peregrinámos até aqui, para este Jubileu, que é uma mensagem de esperança para a humanidade atormentada por crises e guerras.

É por isso que há peregrinos por toda a cidade...

Mas o teu olhar de Mãe vê para além disso.

E parece-me ouvir a tua voz que com sabedoria nos diz:

Meus filhos, o verdadeiro Jubileu está dentro: dentro, dentro dos vossos corações, dentro das vossas relações familiares e sociais.

É no interior que devemos trabalhar para preparar o caminho do Senhor que vem.”

E é uma ótima ocasião para fazer uma boa confissão e pedir o perdão de todos os pecados

Deus perdoa tudo, Deus perdoa sempre, sempre.

Mãe Imaculada, nós agradecemos-te!

Esta tua recomendação é boa para nós, precisamos tanto dela, porque, sem querer, corremos o risco de sermos totalmente absorvidos pela organização, pelas coisas a fazer, e então a graça do Ano Santo, que é um tempo de renascimento espiritual que é um tempo de perdão e de libertação social, esta graça do Jubileu pode não funcionar bem, ser um pouco abafada.

E também hoje, Mãe, nos repetes:

Ouvi Jesus, ouvi-o!

Ouvi-o e fazei o que Ele vos disser.” (cf. Jo 2, 5).

Obrigado, Santa Mãe!

Obrigado porque ainda, neste tempo pobre de Esperança nos dás Jesus, a nossa Esperança. Obrigado, Mãe.

4.           Voltemo-nos agora para a Cruz de Jesus.

Muitas vezes, quase inconscientemente, no nosso imaginário a Cruz é sinónimo de sofrimento. Dizemos muitas vezes: “É a minha cruz.” E quando o dizemos estamos a pensar num peso, no que nos custa… Essa não é a Cruz de Jesus, a Cruz que Jesus quer que cada um tome para O seguir!

É verdade que a Cruz dói. E o sofrimento de Jesus (até mais moral do que físico...) foi atroz (suou sangue, diz-nos São Lucas...). Mas a Cruz de Jesus é o Amor!: “A minha vida ninguém ma tira, sou Eu que a dou!”. (Jo 10, 18) Quando está a ser crucificado Jesus não está a pensar no sofrimento, está a pensar no Amor que o faz estar ali. Só assim percebemos de verdade as palavras de Jesus: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23, 34)

O segredo da vida é o Amor. Porque Deus é Amor. Até os que não têm fé acabam sempre por perceber que o que realmente importa na vida não é o que se tem mas o que se é, e nós somos relação, somos gente que não sobrevive sem amor. O Amor de Jesus tem uma radicalidade que nos eleva a um patamar de amor diferente daquele que a natureza, só por si, é capaz de alcançar. Porque o Amor, mais do que apenas um sentimento, é sobretudo entrega, esquecimento de si próprio, dom, serviço, renúncia inteira a si mesmo. E é por isso que o Amor autêntico, na nossa condição humana, é sempre um Amor crucificado.

Contemplemos a Cruz de Jesus, sabendo que, contemplar a Cruz, não é contemplar o sofrimento.

E contemplar o Amor, com a consciência de que o verdadeiro Amor tem o preço do sofrimento. Mas vivendo-o sempre na alegria. Por mais duro que seja o sofrimento, é sempre fonte de alegria quando é vivido com Jesus, porque o seu jugo é suave e a sua carga é leve: é sempre Ele, em nós, que leva a Cruz!

Antes de terminarmos a nossa peregrinação, lei-se, diante da Cruz, esta passagem do Evangelho: “Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim. E quem amar o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. Quem não tomar a sua cruz para Me seguir mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á. E quem perder a sua vida, por amor de Mim, achá-la-á.” (Mt 10, 37-39)

E terminemos a nossa peregrinação professando a nossa Fé no Amor Crucificado de Jesus que nos revela a verdade do Amor que Deus é, Pai, Filho e Espírito Santo, ao mesmo tempo nos diz que quer que sejamos um com Ele.

"Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra

E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor

Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;

Nasceu da Virgem Maria;

Padeceu sob Pôncio Pilatos,

Foi crucificado, morto e sepultado;

Desceu à mansão dos mortos;

Ressuscitou ao terceiro dia;

Subiu aos Céus;

Está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,

De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo;

Na santa Igreja Católica;

Na comunhão dos Santos;

Na remissão dos pecados;

Na ressurreição da carne;

E na vida eterna.

Ámen".

Após a peregrinação à Sé de Lisboa, participámos na Eucaristia e na Apresentação do livro  QUESTÕES DE ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA, da Doutora M. L. Sirgado Ganho na Igreja de Santo António e no porto de honra que se seguiu no Museu de Santo António de Lisboa.



EVANGELHO Lc 18, 1-8
«Deus fará justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam»

No princípio da leitura desta passagem do Evangelho explica-se a intenção de Jesus ao pronunciar esta parábola: “Sobre a necessidade de orar sempre, sem desanimar”. A maior penúria do homem não será não possuir, mas não ter coragem de sentir a necessidade de pedir! Não queremos ser certamente dos que vão desanimar na sua fé antes da vinda do Senhor! Para isso, oramos sem cessar.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».

Palavra da salvação.

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